Monday, November 6, 2017

DEPOIS DO GOLPE, A GUERRA?

        Recebi alguns comentários a meus artigos que identificavam o momento político que vivemos ao da Alemanha dos anos 1920, quando o nazismo foi sendo construído e se empoderando.

A história é única; num momento civilizatório e em determinado lugar. 

Mas o apetite capitalista pelo lucro, pela expansão imperialista, pela apropriação de bens é permanente.

 O que podemos tirar, como “lição da história”, como reflexão sobre um acontecimento é a resultante do conjunto de forças, como vetores em diferentes direções, que acarretou tal desfecho.

  Transcrevo, pela expressividade, rigor histórico e construção literária, na tradução da professora Isabel Loureiro, um trecho de “A crise da social-democracia”, de Rosa Luxemburg (in Gesammelte Werke, Dietz Verlag, Berlin, 1987):

A marcha de seis semanas sobre Paris transformou-se num drama mundial; o imenso massacre tornou-se um negócio quotidiano, de uma cansativa monotonia, sem qualquer solução à vista. A política burguesa está paralisada, presa na sua própria armadilha e já não pode exorcizar os espíritos que invocou.

A carne para canhão, embarcada em agosto e setembro repleta de patriotismo, apodrece agora na Bélgica, nos Vosges, na Masúria, em cemitérios onde o lucro cresce vigorosamente. Trata-se de guardar rapidamente a colheita. Sobre esse oceano, milhares de mãos se estendem, ávidas para arrancar a sua parte.

Os negócios prosperam sobre ruínas. Cidades transformam-se em montes de escombros, aldeias em cemitérios, regiões inteiras em desertos, populações em tropas de mendigos, igrejas em estábulos” (escrito na prisão e publicado na Suíça em 1916).

Ouso acrescentar: toda esta desgraça da I Grande Guerra gerou enormes lucros, aumentou fortunas e fortaleceu o poder dos ricos. Os resultados da Krupp, Thyssen, Stinnes estão aí para comprovar.

Avaliemos a situação e as forças da época.

A Alemanha Imperial, da unificação sob Bismarck, era o “Império Evangélico de Nação Alemã”. Guilherme I era não apenas um Imperador mas um “summus episcopus”. Como expõe Isabel Loureiro (A Revolução Alemã, Editora UNESP, SP. 1ª edição, 5ª reimpressão, 2017): “quando o edifício institucional da monarquia desmoronou no final de 1918, os protestantes (mas também a alta hierarquia da Igreja Católica) enveredaram por um caminho nacionalista e reacionário, em clara hostilidade à República”, de Weimar (1919/1933).

Temos, então, um quadro do poder, conservador mas nacionalista, na cúpula governamental e na elite dirigente alemã. Muito longe do que vemos no Brasil de hoje. A única variável que poderíamos identificar é a participação religiosa neopentecostal, dos partidos das “Igrejas da Caixinha”, na irônica referência de Gregório Duvivier (Greg News, 28/07/2017).

Formamos um modelo do atraso generalizado e, na forma comum destes mais de 500 anos, colonizado. Se acreditássemos viver numa efetiva democracia, poderíamos dizer que a submissão colonial é o mais popular desejo dos brasileiros. Mas sabemos que as eleições são, na imensa maioria, fruto de manipulação midiática, do dinheiro nacional e estrangeiro, como dos IPES e IBADES de 1962, e similarmente repetidos em 2014.

Poderíamos então, no modelo do império alemão, entender que estamos no argentário e fundamentalista sistema colonizado de hipocrisia republicana.

Agora que, com o auxílio da História, pudemos entender nosso presente, busquemos os objetivos.

Na Alemanha, conforme o grande estudioso do processo civilizatório, Norbert Elias (Os Alemães, Zahar, RJ, 1997), encontrávamos uma sociedade “afinada com um forte governo de cima para baixo, com pouquíssima participação de todos os governados”.

 Além de inteiramente oposta a mudança, não admitia a mínima participação popular e feminina, como uma verdadeira sociedade estamental. 

Veja, assim, os juízes e representantes da sociedade, exercendo suas atividades sem remuneração, limitando a aplicação da justiça e a elaboração normativa ao arbítrio e interesse de classe, dos ricos, dos rentistas daquela Alemanha Imperial.

Um ridículo nos cobre, um país mestiço e pobre, com parcela reduzidíssima de ricos, mas igualmente mestiços – aí estão os Cardoso, pela própria boca, e, igualmente, os Marinho, os Neves e tantos outros destes dirigentes “com um pé na cozinha” – buscando macaquear europeus ou seus descendentes estadunidenses, conseguindo apenas a permanente desmoralização nacional, agora potencializada pela “quadrilha dirigente”.

Fico pensando nestes adeptos dos bolsonaros, crivellas, dorias e seus similares; terão entendimento de sua ignorância, de sua autoflagelação, da fonte dos males que tanto reclamam?

 Não vêem que se prestam ao papel de massa de manobra dos interesses estrangeiros colonizadores e de serem seus capitães do mato locais?

Mais uma vez, vendo a escola pública – onde fiz meu primário nos anos 1949/1953, na Capital da República, e aprendi que “o Brasil era um país essencialmente agrícola”, que “no Império havia ordem e progresso”, o “grande inimigo do país, de homens católicos e ordeiros, era o comunismo ateu” e outras debilidades – hoje considerada modelo, pergunto, sem precisar discutir a didática colonizadora, a quantos servia aquela doutrinação? 10%, 15% da população?

E o que acontecia com a quase totalidade dos brasileiros?

 Formaria a massa contribuinte das caixinhas neopentecostais, dos patos bate panelas, dos que não conseguem se olhar no espelho sem ódio? E, assim, preparados para assassinarem seus irmãos?

Transcrevo de Isabel Loureiro, na obra citada:

Não por acaso, os estudiosos da época (Alemanha Imperial) são unânimes ao apontar no alemão médio traços da submissão e servilismo em relação aos de cima, compensados pela agressividade com os de baixo. É com essa matéria-prima psíquica que será moldada mais tarde a massa amorfa dos “pequenos nazistas”.

Para o Brasil, no recente livro de nosso maior sociólogo, Jessé Souza (A Elite do Atraso - da escravidão à lava jato, Leya, RJ, 2017), ao tratar do golpe de 2016 e da ação de nossas classes sociais, lemos:

a única classe consciente de seus interesses entre nós foi e é ainda a ínfima elite do dinheiro”. “O liberalismo conservador, baseado no falso moralismo da higiene moral da nação, vai ser a pedra de toque da arregimentação da classe média que se cria nessa quadra histórica pela elite do dinheiro”. “Toda a importância do lulismo recente reside aí. Foi com ele iniciado um esforço que, caso fosse levado adiante, redimiria essa classe condenada pelo ódio covarde devotado ao escravo no espaço de poucas gerações”.

Enfim, é a permanente crucificação das classes populares, cujo ódio lhe é votado especialmente pelas frações da classe média, que assumem ser o “capataz da elite do dinheiro de modo a subjugar a sociedade como um todo”.

Pelas redes sociais, por e-mails recebidos, vejo, com preocupação, que se desloca, de um possível acordo contra a efetiva luta de classes, a questão que se tem como premente. 

Sem pretensão da verdade, reflito:

a – a guerra é instrumento da elite, não conheci caso de guerra popular. Quando muito um engodo obtendo apoio mais amplo. Tanto que já lemos, neste artigo, o exemplo de quem, na Alemanha, ganhou com a I Grande Guerra. Populares são as Revoluções socialmente transformadoras; e muitas vezes, como da Bolívia neste século XXI, sem guerra. Também, se buscarmos os primeiros passos bolcheviques (um bom tema para as festividades dos 100 anos da Revolução) iremos encontrar as greves russas, em 1917/1918, pela paz, obtida, mesmo com perdas, pelo Tratado de Brest-Litovsk.

 Para os operários, para as massas populares, as guerras sempre representam mais miséria, mais privação, mais dor.

Posso estar vendo outras maldades, mas a violência urbana, que está diariamente, insistentemente, a todo momento ocupando as redes de televisão, os noticiários radiofônicos, as “análises de especialistas”, pode intencionalmente preparar as pessoas para uma violência ainda maior, travestida de salvadora. 

O Exército já é usado, todo tempo, como polícia; para a guerra civil nem se dará um passo.

b – as manifestações populares sempre possibilitam algum nível de consciência. Mesmo quando reprimidas e derrotadas. Exigir eleições em 2018, exatamente como previstas na legislação em vigor (que se tenta reinterpretar e desfigurar neste judiciário desacreditado) é um imperativo para a conscientização, muito mais do que para a improvável mudança de poder. 
Manter o povo nas ruas e votando, desde síndico de condomínio a Presidente da República, é dispor de um instrumento de reflexão, de debate, de entendimento, de consciência política, social e  existencial.

Por conseguinte, mesmo reconhecendo os riscos mostrados pela Alemanha dos anos 1920, mas consciente que a história nunca é a mesma, coloco como o objetivos dos que lutam por um Brasil Soberano e Democrático, pela construção do país justo e cidadão para todos, a urgência da defesa da paz e do calendário eleitoral.

 Vamos para a disputa nas urnas, sem mais fraudes.

Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado pedroapinho652@gmail.com>

Wednesday, November 1, 2017

BARACK OBAMA - My four rules


e:Barack Obama info@obama.org
responder a:info@obama.org
para:Paulo Augusto Lacaz <sccbesme.humanidade@gmail.com>
data:1 de novembro de 2017 02:21
assunto:My four rules:
enviado por:bounce.bluestatedigital.com
assinado por:obama.org

Obama.org
Paulo Augusto,

As long as we've been working to get the Obama Foundation up and running, I've been thinking about what I might say at the Foundation's first big gathering -- what words of wisdom I'd give to a group of people who have devoted their lives to making the world better.

In true dad fashion, I came up with a set of rules. There are just a few of them, and I think they're pretty simple. This afternoon, I encouraged our Summit attendees to follow them while they're here together -- and I think they're relevant to our everyday lives, too:

Rule 1: Listen.Rule 2: Don't be disagreeable.Rule 3: No selfies!Rule 4: Have fun.

It's taken a lot of work to get here, and I've never been more excited about the future of this Foundation. I'm so happy that you're with us.

Thank you,

Barack

P.S. You can tune in for the livestream of the second day of the Obama Foundation Summit beginning tomorrow at 9:30 a.m. ET/8:30 a.m. CT at Obama.org. If I were you, I'd definitely be watching around 12:00 p.m. ET/11:00 a.m. CT...


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Meet Barack nov 2017

de:Organizing for Action info@ofa.us
responder a:info@ofa.us
para:Paulo+Augusto Lacaz <sccbesme.humanidade@gmail.com>
data:31 de outubro de 2017 16:53
assunto:Meet Barack
enviado por:bounce.bluestatedigital.com
assinado por:ofa.us


This is your chance to meet the former president. Enter now.


Tuesday, October 31, 2017

UTOPIAS E DISTOPIAS – O MUNDO PÓS 1990

   
       Em 9 de novembro de 1989 foi demolido o Muro de Berlim. A imprensa ocidental saudou esta ocorrência como o fim das guerras, o início do mundo da paz.

Também, com o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), em 1991, se iniciava o mundo novo, o fim da história, o triunfo do liberalismo, a era do privado, do indivíduo, sobre o público, o social, o Estado Mínimo sobre o Estado Controlador.

Mas, era esta a verdadeira disputa que se instaurara após a II Grande Guerra, lá em 2 de setembro de 1945?

Não é minha compreensão.

Esta guerra (1939-1945), que envolveu um grande número de  nações, mostrou o poder industrial, do desenvolvimento de tecnologias de fabricação, o tipo de desenvolvimento a ser perseguido pelas nações. Um novo modelo colonial a ser adotado. E este era o pano de fundo que destruía, o que parecia ser definitivamente, o velho modelo colonial mercantil-financeiro.

Aquele antigo modelo, que tivera origem na Inglaterra, enriquecera um pequeno número de famílias, no Reino Unido e também fora dele. Apenas recordando alguns dos nomes mais conhecidos, como a real família dos Windsor,e, também na velha Albion, os Rothschild, os Manners, os Cecil, os Wriothesley, a família real holandesa e, naquele país, os Orange e os Van Duyn, enfim, não mais de 40 famílias que, do velho continente, dominavam as finanças e a economia mundial até o início do século XX.

O novo modelo colonial estava fundado na produção industrial, no consumo de massa, e tinha duas vertentes para distribuição dos lucros: a privada, cujo grande exemplo eram os Estados Unidos da América (EUA), e a pública, para o Estado, na URSS.

O velho capitalismo financeiro, que doravante chamarei “banca”, entendeu que havia um espaço, naquela disputa sobre a destinação dos ganhos, para que reassumisse seu poder colonial. E, deste modo, enquanto os EUA e a URSS buscavam maior número de colônias e travavam combates indiretos pelo mundo, a banca ia à cata de alianças que destruíssem, não o comunismo, mas o empoderamento do industrialismo.

A respeito desta ressurreição da banca e de seus novos objetivos já dediquei outros artigos. Passo a narrar a história recente de seu poder mundial. Apenas registro que capitais de origem  industrial, como dos Rockefeller e dos Vanderbilt, nos EUA, passaram a vestir a camisa da banca.

Se o século XX construíra a utopia da sociedade do consumo ou, numa etapa seguinte, a galbraithiana sociedade afluente, de um lado, e da sociedade protetora, socialista, do outro, faltou a esta a crítica de agir também como um império colonial.

Mas a sociedade que se nos descortina no século XXI é distópica, de ilhas de bem estar, no universo de miséria, lutas e mortes. Nem a propósito uma das designações deste mundo financeiro é Clube das Ilhas (Britânica, Manhattan e Honshu, Japão).

Antes de tratar dos temas deste artigo – poder da banca e poder nacional – é necessário mostrar a significativa mudança nas propriedades empresariais.

Ficamos acostumados a ver as grandes corporações industriais por seus produtos, por suas fábricas, por suas patentes. Era evidente, então, sua condução pelos empreendedores, pelos inventores, por “engenheiros”.

De modo acelerado, a partir de 1990, muitas empresas – Royal Dutch Shell, Coca-Cola, Imperial Chemical, Unilever, Nestlé, Rio Tinto Zinc, e seriam páginas a enumerá-las – passaram a ser propriedades de fundos de investimentos. Isto poucas vezes significou mudança de proprietários – as vantagens tributárias obtidas pós Thatcher-Reagan foram o  efetivo incentivo – mas um novo modelo de controle de gestão que tornava mais anônima a efetiva propriedade.

Passam a ser os executivos, mesmo em permanente mudança, os retratos corporativos mais conhecidos.

Isto conduzirá à ficção dos “mais ricos do mundo”, os que deixaram de se esconder, por vaidade ou ignorância, nos fundos de investimentos. Os bilionários  Windsor são conhecidos por sua realeza, não por sua riqueza.

Cuidemos, agora, nas palavras do “assassino econômico” John Perkins (“A História Secreta do Império Americano”, Cultrix, SP, 2008) da “verdade sobre a corrupção global” ou de como criar a dívida que escravizará Estados Nacionais.

Em 1997 ocorreu mais uma crise desencadeada pela banca. Esta na Ásia.

Crises são as ações provocadas pelo sistema financeiro para aumentar seus ganhos e dominar os países. Atuam nas crises organismos internacionais – como o FMI, o Banco Mundial (WB), o Banco Central Europeu (BCE) – e agências de espionagem e golpes – Agência de Segurança Nacional (NSA) e Agência Central de Informações (CIA), nos EUA, MI6 (Inteligência Militar Seção 6) , no UK – além das empresas agenciadoras e diretamente interessadas.

Diz Perkins. “Quando cheguei à Indonésia, em 1971, o objetivo da política externa dos EUA era claro: acabar com o comunismo e apoiar o presidente (Suharto)”. “Meu trabalho era criar os estudos econômicos necessários à obtenção de financiamento junto ao WB, ao Banco de Desenvolvimento da Ásia e à Agência Norte-americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID)”.

A Indonésia é um arquipélago de mais de 17 mil ilhas, 300 grupos étnicos e, soube-se em 1960, “nadava em petróleo”.

Perkins, nesta época, trabalhava para MAIN, e o “governo Suharto apreciava nossa presteza no fornecimento de relatórios que garantiam empréstimos imensos, os quais beneficiavam as corporações norte-americanas e os governantes indonésios. Eles pouco se importavam que esses empréstimos fossem deixar o país profundamente endividado. 

Para os bancos, isso era parte do plano.

No que se referia a Suharto, ao investir sua fortuna que crescia a cada dia em paraísos fiscais, ele se protegia contra o futuro de uma Indonésia falida”. 

E, refletindo sobre seu trabalho, acrescenta: “criáramos uma nova classe de elite no Terceiro Mundo, os lacaios da corporatocracia”. E, acrescenta, “segundo o relatório do WB e as séries estatísticas do IFS (International Financial Statistics), a Indonésia sempre ostentou a maior dívida externa (em percentual do PIB) de todos países asiáticos. Durante o período crítico de 1990-1996, esse número ficou sempre perto ou acima dos 60% (em comparação aos 15% da China e 10% de Cingapura)”.

 O Brasil, hoje, após um ano e meio de governo golpista, atingiu a dívida bruta de 73,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

Empresas como a Nike, Adidas, Ralph Lauren, Gap usam a miséria reinante na Ásia para explorar trabalhadores, espancá-los ou matá-los quando protestam;  corporações internacionais incentivam privatizações e isenções de impostos para empresas estrangeiras.

O Governo Golpista no Brasil buscou alterar a legislação que pune o trabalho em condições análogas ao da escravidão.

Comentando a América Latina (AL), onde também agiu como “assassino econômico”, escreve: “A Guatemala com Arbenz, o Brasil com Goulart, a Bolívia com Estenssoro, o Chile com Allende, o Equador com Roldós, o Panamá com Torrijos – todos os países do hemisfério que fossem abençoados com recursos que nossas corporações cobiçavam e que tinham líderes determinados a usar esses recursos para o bem de seu povo ..... viram esses líderes serem depostos por golpes ou assassinados e substituídos por governos marionetes de Washington”.

As chegadas de Hugo Chávez, na Venezuela, e de Evo Morales, na Bolívia, provocaram uma reviravolta na América do Sul, na entrada do século XXI. 

Mas a banca, neste momento, estava provocando as guerras no Oriente Médio. O passado de golpes neste subcontinente pode tê-la tranquilizado sobre a reversão fácil daqueles países para seu domínio imperial.

As primaveras árabes, no conjunto geográfico mais rico em petróleo do mundo, pareceu a estratégia adequada para eliminar líderes nacionalistas, derrubar estruturas locais de poder e transformar o Oriente Médio no novo modelo colonial: países sob governo direto das corporações, no modelo da distopia de ilhas corporativas produtoras no mar de miséria. 

Perkins denomina corporatocracia.

O exemplo da Indonésia se repete em todos os continentes. Afinal a dívida é a verdadeira arma, o grande instrumento de dominação e escravização adotado pela banca.

Talvez o mais infeliz, se houver um menos infeliz continente, tenha sido a África. 

Transcrevo um diálogo de Perkins com irmãos sudaneses que recusaram ir para os EUA.

“Precisamos lutar pela independência do Sudão”. “Mas o Sudão ficou independente em 1956”. “O Sudão não existe. Somos dois países, e não esse único que britânicos e egípcios criaram. O norte faz parte do Oriente Médio. O sul é a África”. “Mas onde fica o Egito?” “Antes o Egito ficava na Europa, agora fica no colo dos EUA”.

Não sendo novidade, não é, no entanto, do conhecimento geral a ação das corporações e dos organismos internacionais dominando Estados Nacionais, promovendo golpes de estado, assassinatos de líderes nacionais, matando, em verdadeiro genocídio, populações e etnias inteiras. Se há testemunho de turistas ou estes são vítimas, as ações dos “assassinos econômicos”, das corporações e “órgãos de inteligência”, o crime se transforma em ações de fanatismo étnico ou religioso. 

Foi assim que o MI6 criou a Irmandade Muçulmana.

Nada detém nem há qualquer pudor em matar e destruir vidas e países pelas corporações, hoje majoritariamente de controle anônimo dos fundos de investimentos. Um exemplo francês: a Compagnie Française pour le Developpement des Textiles (CFDT) vende pesticidas, herbicidas, juntamente com arados, fertilizantes e sementes para o Mali, dominando a produção de algodão daquele país. Nem um pouco me surpreenderia sabê-la atuante no recente conflito que apareceu como um caso dos islâmicos contra o Governo Malinês.

O Brasil de hoje, após o golpe de 2016, é um caso a mais da ação da banca. 

Não são os risíveis membros do executivo, legislativo e judiciário brasileiros que teriam a audácia de entregar nossas riquezas insubstituíveis e, adicionalmente, aumentar a dívida financeira brasileira. 

Falta-lhes inteligência e coragem. 

Eles cumprem, e aí estão as trapalhadas permanentes, ordens da corporatocracia.

Mas eles sentem a segurança de ter a proteção das polícias, forças armadas e da espionagem estrangeira atuante.

Tenho conhecimento pessoal de um caso. Durante muitos anos joguei golfe. Embora com medíocre desempenho, foi o único esporte que me interessou praticar. Você fica, por quatro horas, caminhando com outros três parceiros. É inevitável a conversa e, com as parcerias que se formam, um conhecimento maior dos outros jogadores. Um destes, tinha um “curioso trabalho” na representação francesa no Brasil: articular a venda e treinamento, por empresas francesas, de material e tecnologia para a polícia brasileira. Um trabalho que tivera início após os governos militares. Não posso adiantar mais, nem me interessou aprofundá-lo, e creio que, sendo o único parceiro com quem podia falar em seu idioma materno, foi-me dada ao longo de várias partidas esta  inconfidência.

Não há acordo possível com a banca.

 Os interesses nacionais e deste sistema são opostos e incompatíveis. Se foi possível o Partido dos Trabalhadores conduzir, por treze anos, o executivo brasileiro deveu-se ao pouco aprofundamento nas mudanças e às parcerias com os quem iria trai-lo na primeira oportunidade.

 Valeu a máxima que as pompas do poder cegam.

O que me parece fundamental, além da didática apresentação da nova realidade, é a consistência e aceitação consciente, pela maioria da população, de um projeto de mudança que não se limite à área econômica, mas atinja toda estrutura de poder: político, militar, psicossocial, midiático, científico, tecnológico e, principalmente, com a construção da cidadania brasileira.

Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado - pedroapinho652@gmail.com

Thursday, October 26, 2017

Ás Líderes Femininas dos Brasil

Prezada Presidente do PT, Sra. Gleisi Hoffmann  e à Presidenta Sra. Dilma Rousseff,
Bom Dia! Se possível Guardem Sigilo!

Segue para seus conhecimentos algo importante para nossa Segurança Nacional.
 Sou Independente, mas simpático aos planos do PT.


Intervenção já! Desde que consigamos trocar o Regime Político, Alterarmos os códigos e principalmente o PENAL, com penas de Prisão Perpétua e se for necessário Pena de Morte. Reestruturar  o Judiciário  e o Ministério Público –  http://societocratic-political-regime.blogspot.com.br/2017/09/intervencao-ja-set-2017-com-comentarios.html


Vamos manter o Capitalismo Policiado – Vejam Singapura.
Sem mais para o momento, desejo-lhes
Saúde, com respeito e fraternidade,
Paulo Augusto Lacaz
Presidente

SCCBESME HUMANIDADE

BRASIL SAQUEADO E ENGANADO

Pedro Augusto Pinho

O Brasil não é uma ilha, nem de prosperidade no oceano revolto, nem de assaltos  no mundo em paz. Mas a formação da sociedade brasileira foi, e ainda é, distinta das sociedades europeias colonizadoras, das sociedades orientais e das colonizadas africanas e mesmo americanas.

Isto não significa dispensar conceitos e metodologias surgidos fora do País. Mas torna imperioso o estudo de campo, a análise de nossos registros históricos e do processo civilizatório no Brasil.

Por muito tempo tivemos a nossa História como mera reprodução de visões ideológicas estrangeiras. O mesmo ocorreu com a análise da sociedade brasileira. E não estou ofendendo quem quer que seja. Acredito que muitos agiram de boa fé e com honestidade. Faltou-lhes, apenas, a crítica ao modelo que denomino “didática colonial”.

Jessé Souza, no recente e magnífico “A Elite do Atraso – da escravidão à lava jato” (Leya, RJ, 2017), mostra, em casos concretos, a verdadeira bomba demolidora colocada na soberania brasileira que é a “didática colonial” à qual se soma a dominante, monopolista “comunicação de massa privada”, resultando na internalização, na mente dos brasileiros, da “doutrinação colonial”. Transcrevo de Souza (grifos meus):

“As ideias dominantes para reprodução do elitismo brasileiro, como a do patrimonialismo que demoniza seletivamente o ocupante do Estado e a do populismo que demoniza as classes populares, não são apenas ensinadas nas escolas e nas universidades. Seu ensino nas universidades é importante pois confere o prestígio do conhecimento científico, com seu apanágio de universalidade e neutralidade objetiva, a essas visões muito particulares da vida social e política. Armadas dessa consagração do campo científico, elas passam a ter ainda mais peso na formação de uma opinião pública manipulada ao se transformarem em motes usados como arma política pela grande imprensa.”

Este processo dominador realiza o casamento do “populismo” com a “corrupção”, tendo como padrinho o “comunismo” (hoje mais frequente o “bolivarianismo” ou o “terrorismo”), ficando irresistível para a intervenção das Forças Armadas, agora substituídas pela ditadura do Judiciário, como um desejo do “povo em geral”, sempre que, pela eleição, um dirigente transfira, por menor que seja, ganhos desejados pela rica elite para a necessidade da população pobre.

Vamos entender esta questão da comunicação, numa de suas vertentes, tomando o conceito de “esfera pública”, em Jürgen Habermas (junho/1929), pensador alemão (Mudança Estrutural da Esfera Pública, Unesp, SP, 2014).

Habermas dispõe que há um espaço social que atua como mediador entre o Estado e a sociedade, onde o homem livre, capaz de se expressar e se associar, reivindica seu direito e expõe sua vontade. Norbert Elias identifica o surgimento desta conquista civilizatória nos tempos modernos, derrubados os autoritarismos monárquicos e obtida a igualdade e a liberdade.

Quando propugno pelo projeto de construção da cidadania, esta “esfera pública” aparece na “vocalização”. Deixemos para adiante maiores detalhamentos. Por agora vamos, seguindo o diagnóstico de Jessé Souza, verificar o que ocorre efetivamente nesta esfera, no Brasil.

Ela, simplesmente, não existe. Souza mostra esta diferença entre as nações coloniais europeias e a nossa; “lá não se tem a divisão entre “gente” e “não gente” típica de países escravocratas que nunca criticaram essa herança”. E acrescenta: “o que precisa ser compreendido de uma vez por todas é que ser “gente”, ser considerado “ser humano”,não é um dado naturalmas, sim, uma construção social” (grifos nossos).

Ora, o ser humano não é apenas uma construção biológica, é também uma construção emocional. Seja entendida no sentido estrito da psicologia, quer no da construção social ou, ainda, para os espiritualistas, no transcendente, da alma. E, por essa razão, como outro dos três programas da construção da cidadania, temos a “consciência”, muito mais amplo do que a educação ou o reconhecimento cultural. O programa que falta é a própria “existência”, as condições para a vida da pessoa humana, cidadã.

O que dá a condição particular ao Brasil é, lamentavelmente, sua elite, cruel, mesquinha, intelectual e socialmente atrasada, como no título deste mais recente livro de Jessé Souza.

Todas as mazelas que possamos enumerar: a precária e dependente industrialização, a economia exportadora de produtos primários, a insuficiente escolarização, os sistemas de saúde, transportes e segurança pública que não atendem a requisitos mínimos de efetividade, decorrem, básica e fundamentalmente, da manutenção desta elite, que se formou na colônia e prossegue no século XXI.

É esta elite que, sempre aliada e submissa aos interesses estrangeiros, participa ativamente em todos os golpes no Brasil e responde pelo precário sistema educacional e pela doutrinadora comunicação de massa.

Analisemos a questão educacional, o que denomino “pedagogia colonizadora”.

O ensino, no Brasil, foi durante quase toda nossa existência como País, o que o diplomata e parlamentar Álvaro Valle, com ironia, designava “preparação para sábio”. Era um ensino sem maior objetivo do que o verniz de erudição, próprio para “conversas de salão”. Nem havia formação instrumental nem capacitação crítica.

Na reprovação de Álvaro Valle, havia o interesse industrial, economicamente produtivo, que foi também a preocupação dos governos petistas (2002/2014). A maior prova desta afirmação é a construção e instalação, em 12 anos de governo (Lula e Dilma), de maior número de escolas técnicas do que nos 502 anos anteriores do Brasil.

Peço ao caro leitor que reflita sobre estes dados. Para a classe média, a “preparação para sábio” iria fornecer a seus filhos um diferencial de conhecimento que, embora inútil para qualquer produção, lhe distinguiria dos mais pobres. E para estes, era absolutamente desnecessário, pois não conseguiriam a habilitação que lhes desse emprego.

A consequência era de poucas escolas, uma esmagadora maioria de analfabetos efetivos ou funcionais.

Ainda na ótica industrial, os governos militares procuraram dotar o País de um ensino mais dirigido, mais adequado a formação profissional. Disso resultou um maior contingente de alfabetizados. Até então, para os pobres, era o conhecimento dos pais, tios, padrinhos que lhe impulsionava o aprendizado no ofício. O código familiar permitia a transmissão do modelo cultural.

Pierre Bourdieu (O Papel do Sistema de Ensino na Reprodução da Estrutura de Distribuição do Capital Cultural, in “A Economia das Trocas Simbólicas”, Perspectiva, SP, 2015, 8ª Edição) assinala que “o rendimento da comunicação pedagógica é função da competência cultural que o receptor deve à educação familiar”.

Curioso é que este “training on the job”, sem base teórica mais consistente, foi depreciado como um “jeitinho brasileiro” e extrapolado como ação marginal,  ilícita.

Em depoimento num programa de televisão, o presidente de associação empresarial defendeu esta qualidade do operário brasileiro comparando-o com o alemão, que ele conhecera em sua formação.

Eram aproximadamente estas suas palavras. “O operário brasileiro é o melhor do mundo. Colocado diante de máquina ultrapassada, sem funcionamento adequado, ele é capaz de improvisar, com ferramentas por ele criadas e “com arames”, a condição de funcionamento da máquina durante todo horário de trabalho e usa as horas extras para mantê-la, para que ela continue funcionando. O operário alemão aperta o botão da mais avançada máquina e fica dormindo o dia todo”. O que nos falta, dizia o empresário, é investimento em equipamentos modernos.

Mas este conhecimento não é o que desejamos. Nossa proposta é a formação da cidadania. E, a partir de ou com esta, viria a formação profissional. Os golpistas de 2016, além de deixarem de manter as escolas técnicas, ainda regridem mais, com a “escola sem partido”, na formação do cidadão. É o primeiro passo para o retrocesso aos pré governos militares. A escola da grande evasão e da “preparação para sábios”, ou da doutrinação neopentecostal.

A outra vertente colonizadora, que acompanha a “didática colonial” está na comunicação de massa. Retomemos a ideia de Habermas, citada no início.

Poderíamos ter, dentro de definições e âmbitos de ação precisos, três espaços de comunicação radiofônica e televisiva: o estatal, o público e o empresarial privado. Infelizmente o Brasil só tem, com amplo alcance de massa, a comunicação empresarial privada e, pior ainda, em efetivo monopólio. É nossa desgraça em termos de informação e de cidadania, esta permanente doutrinação colonizadora.

A “esfera pública” conforme Habermas estava sendo arduamente construída, e já apresentava sucesso, com a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) e com as TVs Comunitárias.

A EBC fora criada pela Lei nº 11.652, de 7 de abril de 2008. Seu estatuto social  aprovado pelo Decreto nº 6.689, de 10 de dezembro de 2008. A desfiguração da EBC fica evidente nas alterações produzidas pelos golpistas de 2016, conforme Lei nº 13.417, de 2017. Ou seja, de uma possível manifestação da sociedade, a EBC voltou a ser mais uma divulgadora/defensora do mercado.

Em suma, a partir de um diagnóstico errôneo, que intencionalmente oculta o mercado, a escravidão e o liberalismo econômico como causas das submissão cultural colonizada para a quase totalidade da classe média e da classe pobre, é possível criar um movimento verdadeiramente suicida da nacionalidade e do desenvolvimento brasileiro que se manifesta majoritário no legislativo e dominante no poder judiciário.

Estas equivocadas razões levam a focar as agressões de corrupção e impatriotismo não ao mercado, mas ao Estado, não às elites escravistas e seus capitães do mato da classe média, mas a quem procura alterar esta situação, com a pecha de populismo, e assim nos mantemos atrasados política, social, cultural e economicamente.

Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado