Sunday, March 4, 2018

A “ESCOLHA DE SOFIA” (os impasses da área militar na vida real)

  SUBMISSÃO OU NÃO A UM GOVERNO ILEGÍTIMO?

Tania Jamardo Faillace
jornalista e escritora de Porto Alegre, RS
    Essa é uma circunstância previsível dentro de uma sociedade humana desigual e conflitiva como a que vivemos.
Num dia ou outro seremos obrigados a descer do muro e descobrir qual nosso compromisso maior.
Suponho que a dureza do ofício de armas quando em ação conclusiva (conflito armado) obriga a uma disciplina cega a fim de que as ações materialmente objetivas não sejam comprometidas por hesitações perigosas para o conjunto.
Assim, essa "escolha de sofia" deve ser feita ANTES da premência das decisões urgentes e inadiáveis.
Ocorre que, através da História, os governantes e classes hegemônicas sempre se valeram dessa característica própria da ação e preparo militar, para utilizá-las em benefício de seus próprios interesses específicos e pessoais, ao invés do interesse comum para o qual, teoricamente foram criadas.
(Basta observar que os efetivos de luta e guerra das sociedades naturais, tribais e assemelhadas, fazem parte integrante do todo, esses guerreiros não são formatados e treinados para se alienarem de sua própria nação e tribo e família e comunidade, pelo contrário).
É óbvio que a reflexão deve preceder a ação e embasá-la. Mas também é da natureza da vida real que as situações e relações podem alterar-se ou propor-se diferentes durante o próprio curso da ação.
E a rigidez fatalista de uma ação concebida por terceiros e em outras circunstâncias, pode vir a ter consequências diversas e até opostas ao pretendido, ou melhor, ao que foi falsamente anunciado como objetivo.
Uma corporação militar que seja concebida e tratada como uma máquina e não como um conjunto capacitado e especializado de cidadãos para cumprir determinadas tarefas, certamente será manipulada por quem se habilitar - como temos observado na maioria das guerras movidas pelo poder imperialista sobre os outros povos, ou segmentos de seu próprio povo.
A integralidade da pessoa humana que pertence a uma corporação armada deve ser respeitada em sua inteligência e elevação moral.
É nesse sentido, que levanto a questão da formação política ampla e comprometida inclusive dos jovens recrutas do serviço militar obrigatório.
Temos a questão do imperialismo internacionalista, hoje em construção pela Nova Ordem Mundial no objetivo de implantar um Governo Mundial totalitário, a serviço exclusivo do poder econômico-financeiro, com pretensões, inclusive, de eliminar 4/5 da humanidade para maior conforto dos donos do capital. Tal ameaça não pode ser ignorada.
Quanto ao uso das FFAA contra o crime organizado, é uma impropriedade.

 Ações de inteligência (investigativas) são indispensáveis para localizar seus responsáveis e mandantes.

 A opção meramente repressiva contra os executores finais arrisca deixar incólume o sistema, atingindo apenas a "arraia miúda" e os vizinhos inocentes.
O narcotráfico (o crime mais comum e rico atualmente) é o terceiro negócio na Economia Mundial em termos de valores negociados e acumulados. Não há de ser assunto de favelados, que permanecem vivendo em favelas, e buscando água nas bicas.
É financiado pelo Grande Capital (principalmente financeiro - bancos) justamente pela característica de seus produtos, - de dominação sobre as mentes, - o que faz parte da construção de um poder mundial absoluto, em termos econômicos, sociais e políticos. E há evidências de que é coordenado internacionalmente por algumas agências de segurança de países do complexo imperialista.
A boa fé pode ser muito destrutiva, porque não nos permite conhecer exatamente os dados reais.
Sim, reconhece-se que há uma "escolha de sofia" no caminho. Mas não se trata de uma escolha aleatória, frívola, mas de um compromisso com nossa sobrevivência ou não. Aqui, como nação soberana; no geral, como humanidade em que as necessidades naturais - até o sexo - são vilmente manipuladas em benefício de uma minoria ociosa e sem escrúpulos.
Tania Jamardo Faillace
jornalista e escritora de Porto Alegre, RS
Nota Oportuna – Henry Kissinger, recentemente, alegou que a nova tendência é que as FFAA se descolem de suas nacionalidades e estados, e se convertam em meros grupos mercenários, a serviço de quem os paga. Isso já ocorreu durante o Medievo, em que os grupos armados não se ligavam a povos ou etnias, mas serviam como guardas exclusivos de seus patrões – os senhores feudais, ou o que chamaríamos hoje de “latifundiários”. Segundo Kissinger, há movimentos nesse sentido.

O CATACLISMA NUCLEAR QUE ATINGIU CURITIBA - DESPERTE HOMEM COMUM

Wellington Calasans, Romulus Maya e Carlos Krebs recebem Eugênio Aragão e Rubens Rodrigues Francisco para uma análise profunda sobre:

 “os crimes de Moro e da Lava Jato”.

Discutem ARTIGO-BOMBA que publicamos ontem, já viral:

-         "Duplo Expresso 27/fev/2018: o cataclisma nuclear que atingiu Curitiba"



Duplo Expresso 27/fev/2018: o cataclisma nuclear que atingiu Curitiba


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DESPERTE HOMEM COMUM

Em 1946, Wilhelm Reich, médico austríaco, seguidor de Freud, escreveu  “Discurso ao homem comum” (Rede an den kleinen Mann). No Brasil foi traduzido por Waldéa Barcellos, para Martins Fontes, com o título “Escute, Zé Ninguém” (2ª edição em 2007).

Reich, nascido em 1897, viu surgir o nazismo. E, como profundo estudioso da mente humana, entendeu que este bárbaro pensamento político nascia na própria incompreensão individual e, talvez remetendo ao título da célebre obra do filósofo J.G. Fichte (Discursos à Nação Alemã -Reden an die deutsche Nation), tenha se dirigido não às elites mais ao Zé Ninguém, a todos nós.

Vivemos hoje, no Brasil, tal estado de mistificação, tão grande farsa no domínio da compreensão social e humana, que não nos escandaliza uma empresa de petróleo inglesa vir ditar, sem subterfúgios, os procedimentos que o executivo e o judiciário pátrios devam adotar para que seus lucros sejam maximizados.

Ao mesmo tempo, idiotas, midiaticamente empurrados como cordeiros, nos apavoramos com venezuelanos, talvez inexistentes, que estejam invadindo o norte do Brasil (!). Inexistentes pois são fruto da prática conspiratória, como as armas químicas iraquianas e tantas mentiras que o poder divulga entre os povos.

A classe média tem contornos difíceis – pois não se caracteriza apenas pela economia, nem pelo grau de instrução, nem por qualquer parâmetro social, político ou intelectual – no entanto, nunca foi identificada pela sagacidade com que identifica os fenômenos civilizatórios. Sempre correu, como manada, atrás de quem lhe acenasse com um bombom. Isto mesmo, muito pouco.

No facebook, li frase significativa: a classe média está a 5 mil reais da classe que ela menospreza e a 5 milhões da classe que ela lambe as botas.

O modelo político no qual vivemos ajuda muito ao Poder na farsa, na fantasia democrática que nos quer impingir.

Não farei análise dos 35 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na verdade eles poderiam ser resumidos a três, quatro, quando muito cinco, como pretendo demonstrar. Nem há tamanha divergência de interesses nem filosofias a serem seguidas, nem ideologias do poder. Basicamente temos o interesse ou desinteresse na questão nacional, a prioridade na atendimento da elite ou no atendimento do povo e, talvez, algumas discrepâncias operacionais.

E por que tantos? Para criar a mistificação democrática e ter a mesma pregação colonial partindo de várias fontes, com vários discursos, vários argumentos na certeza de que um lhe impressionará. E deste modo você estará ajudando a destruir seu País, a enfraquecê-lo, a humilhá-lo, pensando que combate, por exemplo, a corrupção.

Começo pelo partido que representa os interesses da escravidão e do latifúndio, os mais antigos no Brasil, que muda sistematicamente de nome e hoje se identifica pela sigla DEM (Democratas).

Idênticos interesses nesta escravidão física e mental, no rentismo não tributado estão os denominados evangélicos. Nunca a palavra de Cristo esteve tão longe das práticas destes pastores políticos e argentários. Sua pregação moralista não encontra eco nas suas próprias condutas e na de seus dirigentes.

O mais rico destes é o da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), do Bispo Macedo, de seu sobrinho, Prefeito e Bispo Crivella, que construiu um império midiático de televisão, rádio e imprensa. Tem a sigla PRB (Partido Republicano Brasileiro). São seus congêneres: PSC (Partido Social Cristão), PSDC (Partido Social Democrata Cristão), PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro).

Neste conjunto, do mais profundo atraso social e político, enumeraríamos as denominadas legendas de aluguel. Elas poderiam servir a qualquer um, mas atendem principalmente aos melhores pagantes, que estão nestes proprietários financeiros e fundiários e nos capitais alienígenas.

Um segundo grupo agrega os representantes dos interesses estrangeiros no Brasil. Tem como principal representante o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), e como acólitos o PPS (Partido Popular Socialista), o PP (Partido Progressista) o PSD (Partido Social Democrático), a REDE (Rede Sustentabilidade) e o SD (Solidariedade). Desculpe-me se esqueci algum. Pois muitas vezes aqueles que se dizem defensores da ecologia, da preservação da natureza, apenas querem evitar a industrialização do Brasil, mantendo-nos sem soberania econômica e tecnológica.

Outra característica maior, além da defesa dos interesses estrangeiro, é o combate ao Estado. Apresentam-se como neoliberais, a ideologia da banca (sistema financeiro internacional). Também abrigam siglas de aluguel.

Há um partido tão desfigurado, tão política e ideologicamente disforme que pode, como efetivamente o faz, abrigar escravistas, entreguistas, populistas e até nacionalistas e democratas. É um partido bonde ou, em melhor designação latina, ônibus (omnibus, de todos ou com todos). É o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro). Não é o caso de justificá-lo pela sua formação, mas inquirir como se manteve assim após a constituição de 1988.

O terceiro grupo é muito diversificado, mas tem em comum a oposição formal aos grupos já apresentados. Ao designar formal sua oposição, mostro sua fragilidade em constituir o maior partido brasileiro; suas hesitações, suas inseguranças, seus receios de retrocesso. Esquecem que a falência das privatizações, nos períodos FHC, eram respondidas com “tem que aprofundar mais” e continuavam privatizando. Já foram dados tantos passos atrás que nenhum mais é possível.

Como representantes dos interesses da soberania nacional (soberania social, econômica, tecnológica e política), da construção da cidadania, dos benefícios para a maioria da população, eles deveriam, não tivéssemos o sistema político tão fraudulento, obter maior adesão popular.

Admito, sem conhecer, que haja neste grupo também suas siglas de aluguel. Mas o que, a meu ver, mais dificulta é, no afã de alistar pessoas, não ser seletivo quanto aos valores e consistência da convicção dos candidatos.

A relevância desta seleção não se aplica aos dois grupos inicialmente enunciados, pois seus objetivos não são nacionais nem os do povo brasileiro. Naqueles  partidos estão concentrados os mais corruptos políticos brasileiros.

Cabe uma consideração sobre a corrupção na política, em todo e qualquer sistema e local.

 Política e corrupção andam juntas desde a Roma antiga. Ou não teria existido Brutus. E corrupção não é apenas colocar no seu bolso privado, ilicitamente, o dinheiro público. Corrupção são mordomias, vantagens de classe ou individuais, e principalmente advogar, no governo, interesses particulares e, pior, dos estrangeiros.

Ao assumir uma função pública, é o interesse de todos, do País, da população nacional que deve prevalecer. É uma disfunção que a democracia parlamentar burguesa trás em sua constituição: a representatividade da parte, o bairrismo, o corporativismo.

A idealização de partidos sem ideologia, representando distritos, é a exacerbação deste erro. Todo partido deveria ter clara e obrigatória sua definição filosófica, social, econômica, política, ideológica. O único acerto é termos apenas partidos nacionais e não estaduais como na República Velha.

O maior partido do último conjunto é o Partido dos Trabalhadores (PT), adiciono o PDT (Partido Democrático Trabalhista), o PCdoB (Partido Comunista do Brasil), o PMN (Partido da Mobilização Nacional), o PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados), o PCB (Partido Comunista Brasileiro), o PCO (Partido da Causa Operária), o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) e o PPL (Partido Pátria Livre). Talvez esteja omitindo algum que ainda não pode se apresentar aos eleitores.

O economista Ranulfo Vidigal, analista percuciente, no Monitor Mercantil escreveu: “nas diferentes alas de nossa escola de samba eleitoral em 2018, temos a ala progressista, antiglobalização e ambientalista com forte presença nas universidades e na mídia. Outra ala na esquerda é o segmento antiimperialista, que busca a superação do processo de exploração capitalista” (Começou o jogo eleitoral, 23/02/2018).

Efetivamente, neste grupo de partidos existem aqueles que dão mais atenção às denominadas questões sociais e os que dão às questões nacionais.

As Forças Armadas (FFAA) tem hesitado, hoje e ao longo da nossa história, a lutar pela soberania brasileira – tenho convicção, não prova, que foram também, como todos nós, vítimas da pedagogia colonial – e, desde o empoderamento da banca, muitos de seus quadros deixaram-se dominar pelo canto da sereia do neoliberalismo. Elas não tem mostrado clareza quanto a distinguir os interesses da banca e os do País.

 O desmonte da Petrobrás e a entrega do pré-sal são um exemplo. As decisões arbitrárias nefastas à engenharia brasileira pela Lava Jato, outro exemplo.

Voltemos ao tema de Reich. 

Está o homem comum capaz de encontrar seu lugar?

  Ele tão simplesmente e apenas letrado, que não teve oportunidade, nem a escola lhe propiciou, do letramento social?

 Que em tal descaracterização política, como que nos impõe a atual legislação,  saiba defender seu País, sua família, sua vida?

Proponho, sem qualquer qualificação que não seja de um brasileiro que coloca seu País acima de tudo, que as forças nacionalistas, estejam à direita ou à esquerda do espectro político, unam-se às populares para derrotar o atraso e o entreguismo, cujos partidos que os representam enunciei.

Pela paz, pela unidade nacional, pela urgente reforma política e pela educação libertadora!

Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado 




Saturday, March 3, 2018

NÃO CAIR NA ARMADILHA INIMIGA PARA SOBREVIVER

     Desde o absolutismo monárquico, já com os denominados déspotas esclarecidos, que os governantes passaram a ter, por necessidade, um projeto geral de Estado para governarem.

Antes o Estado e a família se misturavam e era possível só dar respostas aos problemas no momento que surgiam. As consequências não passavam dos círculos familiares. A evolução da sociedade exigiu um programa para que as soluções não se contradissessem, não se eliminassem umas a outras. Os relacionamentos sociais mais amplos trouxeram, entre outras, estas imposições.

O “governo” golpista de Temer nos assusta e surpreende pela ação absolutista. Há um alheamento da sociedade que só me vem a imagem do período medieval, onde o povo cuidava de seu dia a dia sem outra preocupação que não fosse a sobrevivência física e a salvação da alma.

Esta regressão, ainda não consciente na sociedade, é uma das construções do sistema financeiro internacional (a banca) e já se observa, por exemplo, na Líbia.

A Líbia, para quem verdadeiramente a conheceu e não pelas construções midiáticas internacionais a serviço dos interesses da banca, era um país em pleno desenvolvimento, o de mais alta avaliação conforme Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), na África, que executou um projeto de captação e transferência de água, pelo deserto, que deu vida com qualidade a milhares de líbios, que usava os recursos do petróleo para o País.

Os que conhecem a apropriação das receitas nas transações internacionais e acompanharam a decisão de Nixon, em 15 de agosto de 1971, sabem que o dólar, como única moeda para os negócios do petróleo, foi previamente acordado entre os Estados Unidos da América (EUA) e as monarquias árabes, as maiores produtoras e detentoras, à época, de reservas de petróleo. Entre elas a Líbia, então governada pelo Rei Idris I.

O coronel Muammar Mohammed Abu Minyar al-Gaddafi havia comunicado, pouco antes da invasão de 19 de março de 2011, que o petróleo líbio seria vendido pela moeda que desse melhor rendimento ao seu país, e indicou o euro.

O incrível da subserviência de Estados Nacionais à banca é que França, em princípio beneficiada com o uso do euro nas transações do petróleo, participou desta invasão, com suas Forças Armadas.

Hoje a Líbia é uma terra de ninguém, as pequenas tribos, as dispersas famílias vivem o dia a dia da sobrevivência. Ignoram sua nacionalidade, mas que nacionalidade, se não existe mais o país, a nação chamada Grande Jamahira Árabe Popular Socialista da Líbia?

Temer e seus asseclas vem transformando o Brasil numa Líbia atual.

O lúcido e corajoso Senador Roberto Requião, em discurso recente, afirmou: “essas elites não percebem que o pau que dá em Chico, dá em Francisco; que o cipó que a compraz, quando vergasta o lombo do trabalhador, também açoita as suas ilustres ilhargas, quando a luta de classes global a atinge, contrapondo os seus interesses aos interesses imperiais”.

Estes que pediram e mantém Temer estarão, como todos os brasileiros e os líbios, lutando pela sobrevivência num país que o petróleo não é dele, sem indústrias, sem infraestruturas, sem governo nacional.

Medidas isoladas, com a intervenção militar na segurança pública do Rio de Janeiro, não terão maiores resultados do que um analgésico para um grave problema na coluna. Simples efeito anestésico de um mal que permanece.

Os governos nacionais, interessados com a manutenção e o progresso de seu País, tem um plano global de ação; um programa para cada área de atividade; um responsável para cada fase. E todos unidos pela mesma filosofia, seja ela qual for. Diante de uma emergência, a solução estará desenvolvida em harmonia com o projeto de País. Este é o Estado que se formou a partir do século XVIII e época à qual a banca, por seu feitor, Michel Temer, nos faz retroceder.

Nosso grande inimigo, neste momento, são os veículos de comunicação de massa, principalmente as redes comerciais de televisão. Como reconheceu o pouco iluminado primeiro mandatário, a decisão da intervenção fluminense veio de um programa de televisão. Meu Deus! Quanta mediocridade! Quanta ignorância governa o Brasil em todos os poderes constitucionais!

As oposições que, finalmente, parecem querer dialogar, devem continuar juntas e elaborarem, para submeter à sociedade, um projeto completo de Nação. Será o grande diferencial que a marcará desta calhordice onde estamos submersos.

Sem verdades, sem imposições, sem qualquer objetivo que não seja a de colaborar, com a vivência da velhice, diria que este projeto, no global, é simples e compreensível por todos: defesa da soberania e da cidadania brasileiras.

Por soberania teríamos o fortalecimento das Forças Armadas (FFAA) dentro de suas funções da defesa nacional, o desenvolvimento das tecnologias que nos dessem autonomia decisória – citaria as mais relevantes deste século: energética, nuclear, informática e aeroespacial. Para estas teríamos não só a pesquisa e desenvolvimento próprios, como a construção e fabricação de todos os equipamentos, usinas, materiais, instalações sob absoluto controle nacional – e também o reerguimento da empresa nacional de propriedade de brasileiros, no campo, na indústria, na logística, no transporte, na construção, nos serviços. Na soberania estaria presente, e é importantíssimo, o controle estatal das finanças nacionais. Não digo a estatização dos bancos (poderia ser uma decisão política do País) mas um Departamento de Estado que fizesse o que o Banco Central não faz, defender nossa moeda como parte da soberania e do desenvolvimento integral do Brasil.

Pela cidadania daríamos não apenas a indispensável condição de existência aos nacionais (emprego, saúde, moradia, segurança social e segurança pública, transporte e renda para os necessitados), como a consciência, o saber-se sujeito e respeitar todos os humanos, e a possibilidade de falar, vocalizar seus desejos, suas objeções, suas verdades. Para tanto, a reforma institucional será imperiosa.

E tudo com ética, a consciência do humano, do respeito que a banca jamais terá pela humanidade. A paz é parte desta ética.

Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado  pedroaugustopinho@hotmail.com

Wednesday, February 28, 2018

PEDAGOGIA COLONIAL, LETRAMENTOS E NOSSAS MAZELAS EDUCACIONAIS


                                   “ 
  "Uma sociedade injusta é aquela na qual os direitos de muitos não são respeitados, para que os privilégios de poucos sejam garantidos e, como não poderia deixar de ser, essa sociedade injusta produziu a escola que lhe convinha: uma escola injusta”. (Maria Amélia Azevedo Goldberg, “Que escola é esta?”, in “Ritos de Passagem de nossa infância e adolescência”, antologia, Summus editorial, SP, 1985)"

Uma unanimidade, ao se discutirem problemas nacionais, é a inadequada ou inexistente educação. Temos educação? O que é educar?

Escrevendo as expressões “pedagogia colonial” ou “didática colonial” refiro-me quase sempre ao Brasil, às condições nacionais brasileiras, que são minha permanente e maior preocupação.

Mas a colonização das mentes pela “didática colonial”, obviamente em diferentes níveis, é universal; ela faz parte de um poder que se quer perpétuo. Por melhor avaliação que tenhamos, por exemplo, da instrução francesa ou alemã, suas pedagogias refletem os poderes que estão por trás dos governos destes países.

Estes e outros grandes problemas da educação jamais foram esquecidos pelos grandes pedagogos brasileiros, dentre os quais ressalto Paulo Freire.

Não é por acaso que os golpistas e seus apoiadores buscam, com suas falácias,  denegrir ou aviltar  a figura deste grande brasileiro. E, como é óbvio, sem jamais terem lido uma única linha de seus escritos, assistido a uma única palestra, participado de um só grupo de estudo  sobre as ideias de Freire. É a ignorância, aliada ao preconceito e ao cinismo, frutos desta pedagogia que há mais de 500 anos nos oprime.

O combativo e inteligente jornalista Miguel do Rosário, editor de O Cafezinho, escreveu a respeito de uma entrevista do ministro da educação: ”é um clássico da ignorância”. O que esperar das determinações deste político do DEM senão censura a cursos universitários, invasões, com ou sem mortes, aos centros de estudo superior?

É claro que a glorificação da ignorância, ao longo de toda nossa história, foi perseguida, com afinco, pelo poder e bem executada pelos governantes. É graças a ela que a estupidez e a truculência dos golpistas de 2016 se impõem. Vejamos o caso da presidenta do Supremo Tribunal Federal. Jamais se destacou pela profundidade da análise ou pelo conhecimento de temas indispensáveis à boa formação jurídica, como os de filosofia, sociologia e, nos governos da banca e na interferência desta na legislação nacional, da economia. Mas tendo que se expressar, por força do cargo e do apoio ao golpe, brinda-nos com lugares comuns e platitudes incompatíveis com as mínimas qualificações para função. E passa tudo como normal.

A pedagogia atual trata dos letramentos, ou seja, das cognições da escrita e maneiras de se chegar a ela. O letramento básico é aquele que permite ler e escrever em um “contexto onde a escrita e a leitura tenham sentido e façam parte da vida do aluno. O estudante (além de decodificar letras e palavras) precisa aprender toda uma tecnologia muito complicada: como segurar o lápis, escrever de cima pra baixo e da esquerda para a direita; escrever numa linha horizontal, sem subir ou descer. São convenções que os adultos letrados acham óbvias, mas que são difíceis para as crianças. E no caso dos professores dos ciclos mais

avançados do ensino fundamental, é importante cuidar do letramento em cada área específica” (Magda Becker Soares, entrevista ao Diário na Escola, Diário do Grande ABC, 29 de agosto de 2003). Ele pode ser obtido pelos meios convencionais da cartilha ou pelos recursos contemporâneos da comunicação virtual, da informática.

Mas os letramentos são múltiplos, como trata o professor Felipe Bandoni, na revista “nova escola” (Ano 32 nº 309, fevereiro de 2018) ao discorrer sobre o  letramento científico: “a capacidade de compreender, interpretar e formular ideias científicas em uma variedade de contextos, inclusive os cotidianos”.

O mais ausente letramento na educação colonial é o letramento social. Este permitiria, por exemplo, identificar o interesse absolutamente estranho à proteção dos idosos e dos mais pobres que se esconde na proposta golpista da reforma da previdência social. Letramento social é saber ler além da simples expressão, escrita ou falada, para situá-la no universo sociopolítico. E é difícil, muito difícil.

As pessoas nem sabem o que é ser cidadão, o que seria a reivindicação mínima, primária, de todo ser humano. E o sabendo, mesmo muito eventualmente, não saberão, como se expressa o professor Bandoni, “formular ideias em uma variedade de contextos”.
E, assim, permanecemos, a despeito da cor da pele, escravos por toda vida e pelas gerações. Não se iludam os ocupantes eventuais e fugazes de funções executivas, eles também são e serão sempre escravos.

Mas o coxinha educacional, aquele que pensa que decorar tabuada e bajulações históricas aos detentores do poder constitui “educação”, continuará tentando ignorar Paulo Freire, invadindo universidades.

Ao escrever sobre a construção da cidadania, coloco a consciência como elemento indispensável, junto às condições de existência e a vocalização.

Consciência e não educação. Pois o que se pretende neste elemento integrante da cidadania é que a pessoa humana tenha todos os letramentos e nas formas que seja capaz de os processar. São óbvios o letramento básico, o letramento científico, o letramento cultural, artístico, esportivo, mas é indispensável o letramento social. Só ele permitirá a compreensão do ser cidadão e o habilitará às opções políticas. Sem este continuaremos escravos.

Outra importante referência na questão educacional brasileira é o grande antropólogo, o gênio Darcy Ribeiro. Como lembra, em magnífico artigo no Portal Pátria Latina, o professor José Ribamar Bessa Freire ( O Preto Velho, os Pretos Novos e o Voo de Tuiuti: Ninguém Esquece Um Elefante) foi Darcy Ribeiro quem defendeu o diálogo entre a “sabedoria popular” e o conhecimento da universidade.

Poderia e até gostaria de continuar tratando desta questão cidadã. Mas temos ainda, sob o manto abrangente da educação, tratar dos educadores, dos operadores da educação.

Narro, pelo local – um país africano carente de recursos como todos vizinhos – e pela avaliação – um círculo de governo –, um fato ocorrido comigo. Há trinta anos, trabalhei como consultor das Nações Unidas em projeto de planejamento e estruturação institucional na República de Ghana. A solução que propus para determinado problema organizacional fugia da ortodoxia. Foi então levado a longo debate, incluindo pessoas estranhas ao projeto. Após a aprovação fui parabenizado com a qualificação “professor”.

Em alguns poucos países europeus, constatei que “ser professor” era um elogio, uma distinção. Aqui diz “que quem sabe faz quem não sabe ensina”, num menoscabo cruel desta mais nobre e fundamental profissão: levar o conhecimento e a auto estima à população. Que é um país sem professores? E como ter os melhores professores?
Os países nórdicos, pela informação que disponho, encaminham para o magistério seus melhores e mais talentosos estudantes.

Pergunte a um executivo ou a um proprietário de qualquer empresa como ele consegue tão bons empregados, tão brilhantes gerentes. Ele, se não faltar com a verdade, lhe dirá: dou bons salários e segurança para trabalhar. É quanto basta.

Queremos ter bons professores, bons pesquisadores nas escolas, nas universidades? Comecemos pelos bons salários. Mas aí entra o confronto com os mesquinhos interesses desta classe que “faz a cabeça dos brasileiros”. Ou também pagam bons salários ou perderão os mais talentosos empregados para as escolas. Então é preciso estar aquém de um piso salarial ridículo e nem assim o respeitar.

O salário dos professores deveria constar, antes do pagamento da dívida aos bancos, como o primeiro dispêndio, dentro ou fora dos superavits fiscais.

E, como na segunda razão do executivo, dar segurança, garantir a autonomia da educação, da pesquisa e não buscar pretextos fúteis e ignóbeis para intervenção nas universidades e centros de pesquisa, como faz este corrupto governo, golpista e ditatorial. Com bons salários e segurança no trabalho, teremos bons e respeitados professores.

E agindo assim, o conceito social do professor despertará o interesse e o respeito do jovem, ao contrário do que assistimos, com vergonha e tristeza, acontecer em sala de aulas onde as professoras são agredidas e ofendidas.

Os golpistas, os asseclas dos partidos que lhes dão sustentação, os falsos pastores que estão mais distantes das palavras de Cristo do que nosso planeta de um buraco negro no universo, os ruralistas, os das bancadas da bala ou da bola, quando vieram falar de educação devem ser vaiados, escorraçados, como verdadeiros inimigos do povo e da nação brasileira.

Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado pedroaugustopinho@hotmail.com

A RECEITA DE UM PAÍS PARA POUCOS A SERVIÇO DE ESTRANGEIROS - Roberto Requião[1]


 
“Os membros do Clube Militar, em nome dos mais santos princípios de humanidade, esperam que o Governo não consinta que os oficiais e as praças do Exército sejam desviados de sua nobre missão [para serem usados, como “capitães do mato” na captura de escravos foragidos que se escondem nos morros do Rio de Janeiro]”. [Além da desonra que esse papel implicaria ao Exército, não seria uma medida eficiente, porque] “em todos os tempos os meios violentos de perseguição não produzem nunca o efeito desejado”   
Carta do Clube Militar do Brasil à Princesa Isabel, em outubro de 1887

 
Roberto Requião[1]
 
Hoje, quero falar de um país para poucos.
 
Quero percorrer as sendas, os atalhos, os desvios, os mata-burros e as pinguelas que, obrigatoriamente, deve-se tomar para a construção de um país para poucos.
 
Hoje, quero falar de um país que se aprumou e, como o homo erectus, ensaiou passos com a cabeça erguida, orgulhoso de sua nova postura, mas que, logo depois, regressou à mediocridade do país do possível, o país liliputiano de Fernando Henrique.
 
Hoje, quero falar de um país que, em um instante de três anos, recuou às últimas décadas do século 19 e primeiras do século 20, retirando da Constituição, das Leis, do Orçamento e das obrigações do Estado mais de 90 por cento dos brasileiros.
 
Quero falar de um país que em um piscar de olhos transmuda-se de protagonista a figurante sem importância ou talento na cena internacional; um país que renuncia a soberania sobre o petróleo, a energia, os minerais, as terras, a água, indústrias, tecnologia, o espaço aéreo e aceita o papel de maior produtor planetário de couve e cenouras.
 
Hoje, quero falar da elite suicida, que ao mesmo tempo em que acirra a luta de classes, apertando ao máximo os torniquetes da exploração do trabalho, é ela própria expropriada e espoliada pelo capital especulativo global e vê, a cada dia que passa, sua importância política, econômica e social reduzida ao papel de fantoche no teatro dos acontecimentos nacionais e internacionais.
 
Mas, como é que se faz um país para poucos?

Não se trata de uma receita muito sofisticada.
 
Basta fazer uma gororoba, misturando as sobras do fim da feira do sistema neoliberal.
 
Basta fazer uma xepa com aqueles produtos já em processo de deterioração, que ninguém mais compra e o mundo rejeita.
 
Basta reunir o besteirol apregoado pela Globonews, CBN, Bom Dia Brasil, pelo Otavinho, pelos Mesquita, pelos Civita e pelos Sirotsky, com as inestimáveis contribuições do Kim Kataguiri, do Alexandre Frota, do Luciano Huck, do Ratinho e do Danilo Gentili e do guru desses todos, o Armínio Fraga, que temos a exata receita do grude para fazer do Brasil um país para poucos.
 
Se já éramos donos de algumas marcas notáveis, como a disputa com a Botsuana pelo troféu do país com a pior distribuição de renda do planeta, et pour cause, da maior concentração de rendas do mundo; se já éramos o campeão da desigualdade planetária, onde apenas cinco pessoas – cinco, os dedos de uma mão: um, dois, três, quatro, cinco - concentravam a mesma riqueza que a metade da população mais pobre...... cinco contra cem milhões; se tínhamos, anualmente, mais brasileiros mortos de forma violenta que, por exemplo, as vítimas dos tantos conflitos que incendeiam o Oriente Médio, englobando aí Síria, Israel, Palestina, Turquia, Iêmen, Iraque e Afeganistão; se mais de 90 por cento desses 60 mil brasileiros anualmente abatidos são compostos por negros, mulatos e pobres; se o governo federal e os governos estaduais haviam perdido a batalha contra o crime organizado e, em consequência, o controle dos presídios, das favelas, de periferia pobre das grandes, médias e pequenas cidades brasileiras.
 
Nada era tão ruim que não pudesse piorar.

E piorou.
 
Degenerou com a incrível e nunca suficientemente amaldiçoada PEC dos Gastos.
 
Confesso que até hoje quedo-me estupefato com a aprovação no Congresso dessa suprema sandice que é a emenda constitucional que congelou por 20 anos os gastos públicos.
 
Busquei na literatura das crises econômicas mundiais decisões semelhantes e só encontrei paralelo com iniciativas de débeis governantes terceiro-mundistas que as colocaram em prática sob pressão de credores, dos rentistas, dos agiotas e dos discípulos da mais tacanha doutrina econômica formulada pelo homem, desde que o antecedente do homo sapiens desceu da árvore.
 
Em contrapartida, vejo o presidente dos Estados Unidos anunciar o investimento deficitário de um trilhão e 500 bilhões de dólares em infraestrutura, para alavancar a geração de empregos e reativar os negócios.
 
O Congresso de lá aprova investimento deficitário de um trilhão e 500 bilhões de dólares em infraestrutura.
 
O Congresso daqui congela os gastos por 20 anos. Lá, pouco se importam com o déficit público, aqui transformaram o déficit público em uma questão ideológica.
 
É assim que se faz um país para poucos.
 
O pior disso tudo, o kafkiano, o absurdo é que, diariamente, senadores e deputados que votaram a PEC do congelamento de gastos por 20 anos ocupam a tribuna e desfilam uma lista gigantesca de pedidos de recursos, para isso e àquilo.
 
Será que não sabem no que votaram? Ou sabem perfeitamente e apenas jogam para a plateia, para ludibriar os seus eleitores?
 
Adota-se uma política econômica recessiva, antinacional e antipopular, que privilegia o pagamento dos juros da dívida, e choramingam dinheiro para os municípios, lamentam o desemprego, deploram a violência, a qualidade do atendimento à saúde e à educação pública, o encolhimento do programa habitacional, as condições das rodovias e mais.
 
Vejam o caso da intervenção no Rio de Janeiro.
 
Com a aprovação da maioria de deputados e senadores, o governo cortou até talo as verbas para a segurança. Apenas cinco dias antes da midiática e errática ideia da intervenção, Temer e Meireles podaram 240 milhões da segurança.
 
Na sexta de carnaval, dia 9, passam o facão em 240 milhões de reais da segurança pública, e, no dia 14, na quarta de cinzas anunciam a intervenção, para garantir a segurança dos cariocas!!!
 
Será que a nossa capacidade de raciocinar, de somar dois e dois foi enublada por alguma magia ou algum feitiço a tal ponto que o país não vê essa farsa?
 
Faz-se um país para poucos destruindo as Leis Sociais e o Estado Social, flexibilizando (para usar um eufemismo bem sem-vergonha) a jornada de trabalho, o descanso e as férias remuneradas, o 13° salário, o FGTS, o contrato assinado; flexibilizando (para usar um eufemismo bem safado) as regras para o trabalho de lactantes e grávidas em ambientes insalubres.
 
Abro outro parêntese para confessar de novo o meu espanto, para deixar o meu queixo cair, mais uma vez: o que leva um ser humano a botar na lei e a defender o trabalho de mulheres que amamentam ou de gestantes em ambientes prejudiciais à saúde delas e das crianças?
 
Bom..... acabo por reconhecer a ingenuidade de minha pergunta, afinal se até flexibilizaram - de novo o eufemismo cafajeste - as regras contra o trabalho escravo, que mais esperar?
 
Faz-se um país para poucos destruindo a sua burguesia nacional, a indústria nacional, a tecnologia nacional, o desenvolvimento nacional, a autoestima nacional.
 
Mas, a nossa burguesia nacional que vestiu a camisa da CBF e foi às ruas abraçada ao pato da Fiesp; que aplaudiu com entusiasmo a reforma trabalhista; que invadiu Brasília para “convencer” parlamentares a votar a reforma da Previdência; que apoia essa estupidez absoluta que é o plano de privatizações de Temer, Meireles e Moreira que abarca desde a venda da Eletrobrás à autonomia do Banco Central, essas elites não percebem que o pau que dá em Chico, dá em Francisco; que o cipó que a compraz, quando vergasta o lombo do trabalhador, também açoita as suas ilustres ilhargas, quando a luta de classes global a atinge, contrapondo os seus interesses aos interesses imperiais.
 
E temos aí a liquidação do setor brasileiro de petróleo e gás; a extinção da cláusula de conteúdo nacional para a aquisição de implementos para esse setor; a destruição de todo o complexo nacional de engenharia de obras; a desnacionalização do setor aeronáutico, com a absorção da Embraer pelo Boeing.
 
Da mesma forma que na área do pré-sal não serão as empresas brasileiras que fornecerão para a Shell, a Exxon, a Total, a British, é de se acreditar que a nova dona da Embraer terá seus próprios fornecedores. Estrangeiros, é claro; temos aí, como nunca em nossa história, a desnacionalização dos setores industrial, agropecuário, comercial, educacional, de serviços.
 
Mas, com tudo isso acontecendo, a nossa burguesia nacional – as elites - não refreia o impulso do salto para o suicídio.
 
Ela excita-se com qualquer iniciativa que retire direitos dos trabalhadores, mas recolhe-se diante desse processo massacrante de desnacionalização da economia, de alienação da soberania nacional, de apequenamento de seu espaço e importância.
 
Um país para poucos se faz com o domínio absoluto do capital financeiro sobre todos os setores de atividades e a destruição das empresas e do empresariado nacional, da tecnologia nacional.
 
Um país para poucos se faz com a destruição da Previdência Social, eufemisticamente chamada de “reforma”.
 
Faz-se com a restrição à aposentadoria dos trabalhadores e das classes médias. Faz-se - supremo objetivo do mercado - com a privatização da Previdência.
 
A destruição do Estado Social, da República Social, intentada nos últimos anos, não se completaria sem a aniquilação da Previdência.
 
Um país para poucos faz-se também com a transformação das Forças Armadas em polícia interna.
 
Faz-se com a desmoralização das Forças Armadas, incumbindo-a da tarefa de “capitão do mato” a perseguir pobres e negros nos morros do Rio de Janeiro, enquanto a criminalidade, o tráfico e o consumo de drogas correm soltos nos bairros da classe média na Zona Sul.
 
Vejam a que ponto chega a hipocrisia da mídia e dos governantes: enquanto as Forças Armadas recebiam o mandato de “capitães do mato” nas favelas cariocas, o PCC, em ações espetaculares e à vista de todos dava demonstração de poder e de impunidade, ajustando contas para manter a unidade de comando do maior agrupamento do crime organizado no Brasil e no continente.
 
Reprimir o tráfico de drogas e de armas sem combater o PCC? Afrontar o crime organizado sem retomar o comando estatal do sistema penitenciário?
 
Com a cartelização do tráfico de drogas e armas e com a internacionalização das suas operações, PCC é hoje, como já se disse, a nossa mais poderosa multinacional.
 
O sucateamento das Forças Armadas, sonegando a elas os meios para bem guardar as nossas fronteiras, dá-se passe livre para a expansão do crime organizado. Mas, ao invés de prover as Forças Armada para bom desempenho de suas tarefas, gastam-se 600 milhões reais na operação na favela da Maré, sem qualquer resultado.
 
Em outubro de 1887, o Clube Militar, talvez o mais influente fórum de debates de nossas Forças Armadas, mandou uma petição à Princesa Isabel, então regente do Império, solicitando que o Exército não fosse usado com o “capitão do mato” para a captura de escravos foragidos que se escondiam nos morros do Rio de Janeiro, atemorizando a cidade.
 
Dizia a petição: “Os membros do Clube Militar, em nome dos mais santos princípios de humanidade, esperam que o Governo Imperial não consinta que os oficias e as praças do Exército sejam desviados de sua nobre missão”.
 
Além da desonra que o papel implicava, ponderavam que “em todos os tempos os meios violentos de perseguição não produzem nunca o efeito desejado”.
 
Cento e trinta anos depois, com o fracasso da operação na Maré, eis aí a comprovação do que diziam os militares à Princesa Isabel: “Em todos os tempos os meios violentos de perseguição não produzem os efeitos desejados”.
 
Um país para poucos se faz também com o monopólio dos meios de comunicação, com a manipulação e domínio da opinião pública.
 
O presidente Temer disse que decidiu intervir militarmente no Rio de Janeiro depois de ver, pela TV Globo, os arrastões na praia de Ipanema, no Carnaval. Realmente, as Organizações Globo, com a prestimosa colaboração dos parceiros que açambarcam o jornalismo pátrio, deram aos arrastões uma dimensão apocalíptica.
 
Daí o raciocínio primário e preconceituoso da mídia e das autoridades: arrastão é coisa de pobre, de favelado. Vamos então tomar as favelas do Rio.
 
Operações contra o crime organizado que domina o tráfico nos bairros chiques da Zona Sul?
Operações contra os bicheiros que dominam o carnaval da Globo e o crime organizado nos subúrbios cariocas?
Operações contra o crime organizado que domina os presídios brasileiros e o tráfico nacional e internacional de drogas e armas?
Operações contra o crime organizado que repete em grande estilo, sem inibição ou castigo o massacre de São Valentim, fazendo de Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo Chicagos quaisquer?
 
Não, isso não.
Isso não vem ao caso, como diria certo juiz federal.
 
Faz-se um país para poucos vendendo fantasias, mentiras e notícias falsas para a opinião pública.
 
Faz-se um país para poucos escondendo a verdade, distorcendo a verdade, contando meias verdades como faz a mídia comercial e monopolista.
 
Faz-se um país para poucos dizendo que o país está crescendo, que o desemprego diminui, que as atividades industriais crescem, que as reformas da CLT e da Previdência vão salvar o Brasil do buraco, que as privatizações vão destravar o crescimento.
 
Faz-se um país para poucos quando a imprensa comercial monopolista vende a ideia de que o Ministério Público, o Judiciário e a “Polícia Federal a Lei é Para Todos” não precisam de provas para condenar quem quer que seja.
 
Em todo o mundo ocidental adotaram-se medidas para garantir a democratização da informação, de tal forma a impedir que alguns poucos veículos, vinculados e a serviço de grandes grupos econômicos e políticos dominassem e manipulassem a opinião pública.
 
Em todo o mundo ocidental. Menos no Brasil.
Essas são algumas receitas para se fazer um país para poucos. Como não há mal que sempre dure, essa xepa, essa gororoba será vomitada pelos brasileiros.
 
[1] Roberto Requião é senador da República no segundo mandato. Foi governador do Paraná por três mandatos, prefeito de Curitiba, secretário de estado, deputado estadual, oficial do exército brasileiro, professor universitário, industrial, agricultor e advogado. É graduado em direito e jornalismo com pós-graduação em urbanismo e comunicação.